Após a repercussão do texto abaixo e do ótimo e proveitoso feedback em relação ao tema, tive a honra e o prazer de receber opiniões e conselhos sobre conteúdo e também forma do último artigo. Uma dessas pessoas, um referencial profissional para mim, Stephen Kanitz, sugeriu-me que repartisse o artigo em quatro, devido ao extenso tema. Desafio aceito, comecemos hoje pelo final, a minha reflexão sobre a Teologia da Libertação.
Tal teologia tem no Brasil seus ícones mais conhecidos: Leonardo Boff e Frei Betto. Sobre tal corrente pode-se acreditar que ela nasce no começo dos anos 60, ainda como "cristianismo da libertação", quando a JUC (Juventude Universitária Católica) se alimentava da cultura católica francesa progressista que propunha, pelo cristianismo, uma radical transformação social e era encabeçada por Emannuel Mounier e padre Lebret.
Esse embrião de movimento fomenta e se estende aos demais países da América Latina tomando para si engajamentos culturais, políticos e sociais, sempre atrelados ao cristianismo. Nos anos 70 nasce então a "Teologia da libertação".
Leonardo Boff e Frei Betto, tal qual eram, ainda são extremamente atuantes em sua ideologia nos dias de hoje(Boff por suas convicções chega a ser excomungado pelo Papa na década de 80 e Frei Betto, além de assessor especial de Lula quando presidente no país, fez assessoria de outros organismos socialistas Estado-Igreja também). Resumindo a teoria e a função da Teoria da Libertação seria "optar pela causa dos pobres".
A luta pela massa, pela maioria que é tida como mais manipulável por alguns estudioso não é nova, e já se entendeu que para se estabelecer novos paradigmas, não há base maior do que a classe C, os pobres. Como diria Clinton, segundo o jornalista Paulo Henrique Amorim, quando soube que Lula havia sido, enfim, eleito presidente: "É sempre assim, se elege pelos pobres mas se governa pelos ricos".
Acontece que, exatamente na década de 80, o crescimento religioso que o país começa a enfrentar é outro. A máxima "comunicação é o que se entende e não o que se fala" se fez verdadeira para a nova Teologia.
Ela que deveria ser do e para os pobres é substituída ligeiramente pelo protestantismo nas ruas das cidades nacionais.
Com uma linguagem mais simples e mais direta — uma vez que a formação de pastores em tal época e aqui era diferente da formação de padres, logo a semelhança entre locutor e ouvinte sendo maior, maior também a receptividade — as igrejas evangélicas das mais variadas denominações, que haviam chegado no país somente no século anterior, tomam a frente, assumem seu posto e seu legado no lugar de Boff e companhia.
Em 1960, a classe se resumia a somente 4% da população. A população cresce e a porcentagem de fiés também; hoje cerca de 20% dos brasileiros se reúnem semanalmente em cultos. O país é uma potência e visto como o celeiro das atividades não só nas Américas como no mundo. Não raramente palestrantes e pregadores de expressão nacionais são convidados para ir para os quatro cantos do mundo multiplicar o know how e o que tem acontecido por aqui.
Tendo a distância entre líder e público diluída pelas semelhanças de origem e história pessoais, outro fato que coopera para o crescimento dessas igrejas sobre o público alvo que seria na nova Teologia católica é também o fato de que novas denominações continuam a surgir ao longo do país buscando e diminuindo a margem de pessoas que não se enquadrariam por conta de características. Hoje, existem formas e expressões de evangelho para todos: surfistas, empresários, desempregados e empregadas.
O fato é que a igreja evangélica sem abrir mão dos princípios se adéqua as novas realidades numa velocidade razoável, enquanto a igreja católica continua afastando de si pessoas de vanguarda como Boff e Betto, que, estando do lado do Papa, seriam responsáveis por uma situação aqui, se não muito, pelo menos um pouco diferente da atual.
Hoje, não só no Brasil, a igreja católica enfrenta o que chamam de crise, e se continuar do jeito que está, as igrejas ligadas ao Vaticano vão ficar mais vazias do que o Egito na época do êxodo.
O que (o escritor da) Esquerda tem que aprender com os evangélicos
Recentemente foi lançado ao público por meio de alguns blogs um artigo que, inteligentemente, discute a tríade a princípio inseparável: economia-política-religião.
O artigo traz reflexões importantes porém peca em algo que os da própria corrente evangélica/pentecostal/neo-pentecostal pecam: a segregação.
O escritor acusa algumas denominações com a do missionário R.R. Soares ou a Universal do Bispo Macedo de produzirem cultos em escala da broadway, insinuando que, por conta disso, tradições de simplicidade cristã fiquem em segundo plano (com muita boa vontade) no cotidiano daquela comunidade.
Não advogo a favor de missionário ou bispo nenhum, pelo contrário, pessoalmente até tenho discordância com a forma que lidam com o evangelho e essa forma política , contudo, como disse anteriormente, a crise do protestantismo hoje no Brasil é criada pelos próprios evangélicos.
Não raras vezes em conversas comuns você irá ver entre eles alegações de que militantes da causa que pertencem à outra denominação são errados ou o pior, pelo simples fato da comunidade em debate ter crescido, ter se tornado uma gigante em influência e abrangência, já se coloca o rótulo de vendida.
A revista Época, ou Isso é (não me lembro no momento) deu a capa de uma de suas edições do ano passado falando sobre o novo crescimento do protestantismo à margem dos evangélicos. Líderes como Caio Fábio e Carlos Bregantim estão nesse contexto uma vez que incitam essas pequenas reuniões em fundos de quintais ou ex-lojas comerciais (Em tempo, os neo-pentecostais do textos e esses do conteúdo da matéria dessa revista são de correntes completamente diferente se assimilando somente na pseudo simplicidade do pouco número de membros ou da pequenez da congregação).
O fato é que, quando qualquer líder ou seguidor religioso do cristianismo ocidental protestante levanta sua bandeira contra qualquer denominação que apareça na TV ou que por ter ganho notoriedade por suas próprias condições, ele cai numa armadilha social muito comum, muito arisca e muito arriscada, que começou na Escola de Frankfurt, na Alemanha.
Esses alemães, muito doidos, muito à frente, de vanguarda e geniais, tinham uma ideologia que no fim das contas poderia se resumir grosseiramente a seguinte frase "se faz sucesso, não é bom."
E é isso que acontece atualmente. Qualquer líder religioso/ espiritual é julgado primeiramente pela visibilidade que tem; se a possui muito, um certo pre´-conceito já se instala na interpretação de suas palavras e associar este homem ou mulher à simplicidade, graça, humildade e integridade parece coisa quase impossível.
Como se simplicidade fosse atributo excludente de grandeza e graça de realeza.
O dogma que assolou essa religião durante anos, proveniente da cultura dos franciscanos, que assossiava pobreza à santidade não é verdadeiro nem recíproco: riqueza não é sinônimo de pecado!
O texto se encontra abaixo, essas são algumas pequenas reflexões que eu espero que nos faça pensar e rever nossas atitudes de interpretação.
A teologia da libertação perdeu seu espaço para os evangélicos muito por causa disso...
Até breve.
O artigo traz reflexões importantes porém peca em algo que os da própria corrente evangélica/pentecostal/neo-pentecostal pecam: a segregação.
O escritor acusa algumas denominações com a do missionário R.R. Soares ou a Universal do Bispo Macedo de produzirem cultos em escala da broadway, insinuando que, por conta disso, tradições de simplicidade cristã fiquem em segundo plano (com muita boa vontade) no cotidiano daquela comunidade.
Não advogo a favor de missionário ou bispo nenhum, pelo contrário, pessoalmente até tenho discordância com a forma que lidam com o evangelho e essa forma política , contudo, como disse anteriormente, a crise do protestantismo hoje no Brasil é criada pelos próprios evangélicos.
Não raras vezes em conversas comuns você irá ver entre eles alegações de que militantes da causa que pertencem à outra denominação são errados ou o pior, pelo simples fato da comunidade em debate ter crescido, ter se tornado uma gigante em influência e abrangência, já se coloca o rótulo de vendida.
A revista Época, ou Isso é (não me lembro no momento) deu a capa de uma de suas edições do ano passado falando sobre o novo crescimento do protestantismo à margem dos evangélicos. Líderes como Caio Fábio e Carlos Bregantim estão nesse contexto uma vez que incitam essas pequenas reuniões em fundos de quintais ou ex-lojas comerciais (Em tempo, os neo-pentecostais do textos e esses do conteúdo da matéria dessa revista são de correntes completamente diferente se assimilando somente na pseudo simplicidade do pouco número de membros ou da pequenez da congregação).
O fato é que, quando qualquer líder ou seguidor religioso do cristianismo ocidental protestante levanta sua bandeira contra qualquer denominação que apareça na TV ou que por ter ganho notoriedade por suas próprias condições, ele cai numa armadilha social muito comum, muito arisca e muito arriscada, que começou na Escola de Frankfurt, na Alemanha.
Esses alemães, muito doidos, muito à frente, de vanguarda e geniais, tinham uma ideologia que no fim das contas poderia se resumir grosseiramente a seguinte frase "se faz sucesso, não é bom."
E é isso que acontece atualmente. Qualquer líder religioso/ espiritual é julgado primeiramente pela visibilidade que tem; se a possui muito, um certo pre´-conceito já se instala na interpretação de suas palavras e associar este homem ou mulher à simplicidade, graça, humildade e integridade parece coisa quase impossível.
Como se simplicidade fosse atributo excludente de grandeza e graça de realeza.
O dogma que assolou essa religião durante anos, proveniente da cultura dos franciscanos, que assossiava pobreza à santidade não é verdadeiro nem recíproco: riqueza não é sinônimo de pecado!
O texto se encontra abaixo, essas são algumas pequenas reflexões que eu espero que nos faça pensar e rever nossas atitudes de interpretação.
A teologia da libertação perdeu seu espaço para os evangélicos muito por causa disso...
Até breve.
“As massas de homens que nunca são abandonadas pelos sentimentos religiosos
então nada mais vêem senão o desvio das crenças estabelecidas.
O institnto de outra vida as conduz sem dificuldades
ao pé dos altares e entrega seus corações aos preceitos
e às consolações da fé.”
Alexis de Tocqueville, “A Democracia na América” (1830), p. 220.
Publicado originalmente no sensho
No Brasil, um novo confronto, na forma como dado e cada vez mais evidente e violento, será o mais inútil de todos: o do esclarecimento político contra o obscurantismo religioso, principalmente o evangélico, pentecostal ou, mais precisamente, o neopentecostal. Lamento informar, mas na briga entre os dois barbudos – Marx e Cristo – fatalmente perderemos: o Nazareno triunfa. Por uma razão muito simples, as igrejas são o maior e mais eficiente espaço brasileiro de socialização e de simulação democrática. Nenhum partido político, nenhum governo, nenhum sindicato, nenhuma ONG e nenhuma associação de classe ou defesa das minorias tem competência e habilidade para reproduzir o modelo vitorioso de participação popular que se instalou em cada uma das dezenas de milhares de pequenas igrejas evangélicas, pentencostais e neopentecostais no Brasil. Eles ganharão qualquer disputa: são competentes, diferentemente de nós.
Muitos se assustam com o poder que os evangélicos alcançaram: a posse do senador Marcello Crivela, também bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, no Ministério da Pesca e a autoridade da chamada “bancada evangélica” no Câmara dos Deputados são dois dos mais recentes exemplos. Quem se impressiona não reconhece o que isso representa para um a cada cinco brasileiros, o número dos que professam a fé evangélica ou pentecostal no Brasil. Segundo a análise feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a partir dos microdados da Pesquisa de Orçamento Familiar 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a soma de evangélicos pentecostais e outras denominações evangélicas alcança 20,23% da população brasileira. Outros indicadores sustentam que em 1890 eles representavam 1% da população nacional; em 1960, 4,02%.
O crescimento dos evangélicos não é um milagre, é resultado de um trabalho incansável de aproximação do povo que tem sido negligenciado por décadas pelas classes mais progressistas brasileiras. Enquanto a esquerda, ainda na oposição política, entre a abertura democrática pós-ditadura e a vitória do primeiro governo popular no Brasil, apenas esbravejava, pastores e missionários evangélicos percorreram cada canto do país, instalaram-se nas regiões periféricas dos grandes centros urbanos, abriram suas portas para os rejeitados e ofereceram, em muitos momentos, não apenas o conforto espiritual, mas soluções materiais para as agruras do presente, por meio de uma rede comunitária de colaboração e apoio. O que teve fome e dificuldade, o desempregado, o doente, o sem-teto: todos eles, de alguma forma, encontraram conforto e solução por meio dos irmãos na fé. Enquanto isso, a esquerda tinha uma linda (e legítima) obsessão: “Fora ALCA!”.
________________________________________________O crescimento dos evangélicos não é um milagre,
é resultado de um trabalho incansável
de aproximação com o povo
é resultado de um trabalho incansável
de aproximação com o povo
Desde Lutero, a fé como um ato de resistência (Life of Martin Luther and and the Heros of Reformation, litografia, 1874)
O mapa da religiosidade no Brasil revela nossa incompetência social: os evangélicos e pentecostais são mais numerosos entre mulheres (22,11% delas; homens, 18,25%), pretos, pardos e indígenas (24,86%, 20,85% e 23,84%, respectivamente), entre os menos instruídos (sem instrução ou até três anos de escolaridade: 19,80%; entre quatro e sete anos de instrução: 20,89% e de oito a onze anos: 21,71%) e na região norte do país, onde 26,13% da população declara-se evangélica ou pentecostal. O Acre, esse Estado que muitos acham que não existe, blague infantilmente repetida até mesmo por esclarecidos militantes de esquerda, tem 36,64% de evangélicos e pentecostais. É o Estado mais evangélico do país. Simples: a igreja falou aos corações e mentes daqueles com os quais a esquerda nunca verdadeiramente se importou, a não ser em suas dialéticas discussões revolucionárias de gabinete, universidade e assembleia.
O projeto de poder evangélico não é fortuito. Ele não nasceu com o governo Dilma Rousseff. Ele não é resultado de um afrouxamento ideológico do PT e nem significa, supõe-se, adesão religiosa dos quadros partidários. Ele é fruto de uma condição evangélica do país e de uma sistemática ação pela conquista do poder por vias democráticas, capitalizada por uma rede de colaboração financeira de ofertas e dízimos. Só não parece legítimo a quem está do lado de fora da igreja, porque, para cada um dos evangélicos e pentecostais, estar no poder é um direito. Eles não chegaram ao Congresso Nacional e, mais recentemente, ao Poder Executivo nacional por meio de um golpe. Se, por um lado, é lamentável que o uso da máquina governamental pode produzir intolerância e mistificação, por outro, acostumemo-nos, a presença deles ali faz parte da democracia. As mesmas regras políticas que permitiram um operário, retirante nordestino e sindicalista chegar ao poder são as que garantem nas vitória e posse de figuras conhecidas das igrejas evangélicas a câmaras de vereadores, prefeituras, governos de Estado, assembleias legislativas e Congresso Nacional. O lema “un homme, une voix” (“um homem, uma voz”) do revolucionário socialista L.A. Blanqui (1805-1881), “O Encarcerado”, tem disso.
Afora a legitimidade política – o método democrático e a representação popular não nos deixam mentir – a esquerda não conhece os evangélicos. A esquerda não frequentou as igrejas, a não ser nos indefectíveis cultos preparados como palanques para nossos candidatos demonstrarem respeito e apreço pelas denominações evangélicas em época de campanha, em troca de apoio dos crentes e de algumas imagens para a TV. A esquerda nunca dialogou com os evangélicos, nunca lhes apresentou seus planos, nunca lhes explicou sequer o valor que o Estado Laico tem, inclusive como garantia que poderão continuar assim, evangélicos ou como queiram, até o fim dos tempos. E agora muitos militantes, indignados com a presença deles no poder, os rechaçam com violência, como se isso resolvesse o problema fundamental que representam.
________________________________________________A esquerda nunca dialogou com os evangélicos,
nunca lhes apresentou seus planos,
nunca lhes explicou sequer o valor do Estado Laico
nunca lhes apresentou seus planos,
nunca lhes explicou sequer o valor do Estado Laico
George Whitefield (1714-1770) pregando nas colônias britânicas
Apenas quem foi evangélico sabe que a experiência da igreja não é puramente espiritual. E é nesse ponto que erramos como esquerda. A experiência da igreja envolve uma dimensão de resistência que é, de alguma forma, também política. O “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito” (Paulo para os Romanos, capítulo 12, versículo 2) é uma palavra de ordem poderosa e, por que não, revolucionária, ainda que utilizada a partir de um ponto de vista conservador.
Em nenhuma organização política o homem comum terá protagonismo tão rápido quanto em uma igreja evangélica. O poder que se manifesta pela fé, a partir da suposta salvação da alma com o ato simples de “aceitar Jesus no coração como senhor e salvador”, segundo a expressão amplamente utilizada nos apelos de conversão, transforma o homem comum, que duas horas antes entrou pela porta da igreja imundo, em um irmão na fé, semelhante a todos os outros da congregação. Instantaneamente ele está apto a falar: dá-se o testemunho, relata-se a alegria e a emoção do resgate pago por Jesus na cruz. Entre os que estão sob Cristo, e são batizados por imersão, e recebem o ensino da palavra, e congregam da fé, não há diferenciação. Basta um pouco de tempo, ele pode se candidatar a obreiro. Com um pouco mais, torna-se elegível a presbítero, a diácono, a liderança do grupo de jovens ou de mulheres, a professor da escola dominical. Que outra organização social brasileira tem a flexibilidade de aceitação do outro e a capacidade de empoderamento tal qual se vêem nas pequenas e médias igrejas brasileiras, de Rio Branco, das cidades-satélite de Brasília, do Pará, de Salvador, de Carapicuíba, em São Paulo, ou Santa Cruz, no Rio de Janeiro? Nenhuma.
Se esqueçam dos megacultos paulistanos televisionados a partir da Av. João Dias, na Universal, ou da São João, do missionário R.R. Soares. Aquilo é Broadway. Estamos falando destas e outras denominações espalhadas em todo o território nacional, pequenas igrejas improvisadas em antigos comércios – as portas de enrolar revelam a velha vocação de uma loja, um supermercado, uma farmácia – reuniões de gente pobre com sua melhor roupa, pastores disponíveis ao diálogo, festas de aniversário e celebrações onde cada um leva seu prato para dividir com os irmãos. A menina que tem talento para ensinar, ensina. O irmão que tem uma van, presta serviços para o grupo (e recebe por isso). A mulher que trabalha como faxineira durante a semana é a diva gospel no culto de domingo à noite: canta e leva seus iguais ao júbilo espiritual com os hinos. A bíblia, palavra de ninguém menos que Deus, é lida, discutida, debatida. Milhares e milhares de evangélicos em todo o país foram alfabetizados nos programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs) para simplesmente “ler a palavra”, como dizem. Raríssimo o analfabeto que tenha sido fisgado pela vontade ler “O Capital”, infelizmente. As esquerdas menosprezaram a experiência gregária das igrejas e permaneceram, nos últimos 30 anos, encasteladas em seus debates áridos sobre uma revolução teórica que nunca alcançou o coração do homem comum. Os pastores grassaram.
dica da Isabel Dias Heringer
Comemorando pelas razões erradas
Segue ótimo texto do economista Ricardo Amorim, sobre a atual situação do Brasil no cenário econômico. Boa leitura!
Muita fanfarra na virada do ano porque o Brasil tornou-se a 6ª economia mundial, ultrapassando o Reino Unido. Não entendo por quê.
Somos a 6ª economia do planeta há tempos. As estatísticas oficiais não incluem a economia informal, como se os camelôs, pipoqueiros, professoras de violão e catadores de latinhas não existissem.
Acontece que há muito mais informais no Brasil do que na França ou na Alemanha, que segundo as estatísticas são a 5ª e 4ª economias do mundo. Estes trabalhadores são ignorados pelas estatísticas, mas não deixam de produzir, comer, morar, comprar, ir ao futebol. Já somos pelo menos a 5ª ou talvez a 4ª economia global, apesar do FMI ainda não indicar isto.
Mesmo assim, não vejo razão para euforia. Ser uma das maiores economias ajuda a atrair investimentos e gerar empregos, mas não garante prosperidade para todos. Tudo depende do nível de renda per capita e de como a renda está distribuída. A China, por exemplo, é a 2ª economia do planeta e tem um PIB 110 vezes superior ao de Luxemburgo. No entanto, cada chinês é, em média, 20 vezes mais pobre do que cada luxemburguês.
O Brasil não tem razões para se ufanar. Nossa distribuição é uma das piores do mundo e nossa renda per capita é medíocre, a 55ª do globo.
Ruim, mas já foi bem pior. O excepcional processo de transformação pelo qual o país está passando trouxe melhoras significativas. De 2002 para cá, a economia brasileira pulou de 13ª a 6ª maior do planeta segundo o FMI. Nossa renda per capita avançou 19 posições, saindo do 74º posto. Nossa distribuição de renda também melhorou muito.
Ao contrário do que reivindicam alguns, nossa ascensão econômica não aconteceu por méritos deste ou daquele político. Melhoras semelhantes ocorreram em dezenas de outras economias no mesmo período. A explicação é uma transformação muito mais ampla e menos sujeita aos caprichos dos políticos.
Ao entrar na Organização Mundial do Comércio em dezembro de 2001, a China condenou o Brasil e vários outros países em desenvolvimento a emergirem.
Este evento provocou uma forte e sustentada elevação dos preços de matérias primas que exportamos, enquanto reduziu o preço de inúmeros produtos industrializados e do capital que importamos, favorecendo consumo e investimento por aqui e em muitos países emergentes. A mudança foi tão grande que hoje, entre os 10 países com renda per capita mais elevada, metade é exportador de matérias primas.
As forças que impulsionaram a economia mundial na última década, possivelmente, continuarão ao longo desta, o que sustentará nosso processo de desenvolvimento, apesar de solavancos esporádicos, como o que deve ocorrer este ano devido à crise europeia. Não deixe a decepção de 2012 nublar as perspectivas do que esta década pode trazer.
Se as tendências de crescimento econômico e cambiais dos últimos 9 anos em todo mundo continuarem iguais, antes da Copa do Mundo nossa distribuição de renda será melhor do que a dos EUA. No final da década, seremos a 3ª economia mundial, nossa renda per capita avançará mais 21 posições. Um ano depois, em 2021, nossa renda per capita será maior do que a dos americanos.
Nada disso está garantido. Oportunidade não é destino. Em lugar de comemorar uma estatística errada e que significa pouco para a vida dos brasileiros, deveríamos nos preocupar em criar as condições para que este desenvolvimento potencial se torne realidade. Como já cantou o poeta: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
Muita fanfarra na virada do ano porque o Brasil tornou-se a 6ª economia mundial, ultrapassando o Reino Unido. Não entendo por quê.
Somos a 6ª economia do planeta há tempos. As estatísticas oficiais não incluem a economia informal, como se os camelôs, pipoqueiros, professoras de violão e catadores de latinhas não existissem.
Acontece que há muito mais informais no Brasil do que na França ou na Alemanha, que segundo as estatísticas são a 5ª e 4ª economias do mundo. Estes trabalhadores são ignorados pelas estatísticas, mas não deixam de produzir, comer, morar, comprar, ir ao futebol. Já somos pelo menos a 5ª ou talvez a 4ª economia global, apesar do FMI ainda não indicar isto.
Mesmo assim, não vejo razão para euforia. Ser uma das maiores economias ajuda a atrair investimentos e gerar empregos, mas não garante prosperidade para todos. Tudo depende do nível de renda per capita e de como a renda está distribuída. A China, por exemplo, é a 2ª economia do planeta e tem um PIB 110 vezes superior ao de Luxemburgo. No entanto, cada chinês é, em média, 20 vezes mais pobre do que cada luxemburguês.
O Brasil não tem razões para se ufanar. Nossa distribuição é uma das piores do mundo e nossa renda per capita é medíocre, a 55ª do globo.
Ruim, mas já foi bem pior. O excepcional processo de transformação pelo qual o país está passando trouxe melhoras significativas. De 2002 para cá, a economia brasileira pulou de 13ª a 6ª maior do planeta segundo o FMI. Nossa renda per capita avançou 19 posições, saindo do 74º posto. Nossa distribuição de renda também melhorou muito.
Ao contrário do que reivindicam alguns, nossa ascensão econômica não aconteceu por méritos deste ou daquele político. Melhoras semelhantes ocorreram em dezenas de outras economias no mesmo período. A explicação é uma transformação muito mais ampla e menos sujeita aos caprichos dos políticos.
Ao entrar na Organização Mundial do Comércio em dezembro de 2001, a China condenou o Brasil e vários outros países em desenvolvimento a emergirem.
Este evento provocou uma forte e sustentada elevação dos preços de matérias primas que exportamos, enquanto reduziu o preço de inúmeros produtos industrializados e do capital que importamos, favorecendo consumo e investimento por aqui e em muitos países emergentes. A mudança foi tão grande que hoje, entre os 10 países com renda per capita mais elevada, metade é exportador de matérias primas.
As forças que impulsionaram a economia mundial na última década, possivelmente, continuarão ao longo desta, o que sustentará nosso processo de desenvolvimento, apesar de solavancos esporádicos, como o que deve ocorrer este ano devido à crise europeia. Não deixe a decepção de 2012 nublar as perspectivas do que esta década pode trazer.
Se as tendências de crescimento econômico e cambiais dos últimos 9 anos em todo mundo continuarem iguais, antes da Copa do Mundo nossa distribuição de renda será melhor do que a dos EUA. No final da década, seremos a 3ª economia mundial, nossa renda per capita avançará mais 21 posições. Um ano depois, em 2021, nossa renda per capita será maior do que a dos americanos.
Nada disso está garantido. Oportunidade não é destino. Em lugar de comemorar uma estatística errada e que significa pouco para a vida dos brasileiros, deveríamos nos preocupar em criar as condições para que este desenvolvimento potencial se torne realidade. Como já cantou o poeta: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
Ricardo Amorim
Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.
Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.
Rio de Janeiro 24h
Recentemente, além do poderio econômico que São Paulo tem sobre a cidade maravilhosa, a reclamação de nós cariocas era de que lá eles funcionam 24 horas por dia. Parece que bares, restaurantes, locais de lazer, nada nunca encerra, se tornando assim num convite para que você vá.
As possibilidades realmente parecem ser infinitas na terra da garoa. Porém, agora, ao que parece, com os recentes investimentos e as aquisições do porvir, o Rio de Janeiro pode começar a oferecer abrigos interessantes aos filhos do sereno que insistem em não voltar pra casa antes do amanhecer.
Recentemente, o La Fiorentina, uma cantina à beira-mar, no Leme, se tornou um local 24x7, se juntando assim à outros bravos que já entenderam a lucratividade da madrugada. Até então, realmente são poucos os lugares de qualidade que funcionam 24 horas por dia, porém os que funcionam, além de criarem um marketing extremamente positivo, não deixam de lucrar.
Na zona sul da cidade, a opção é maior. No Flamengo, o representante é o Lamas; em Copacabana o Cervantes; no Leblon, nada melhor do que o baixo, assim como na Gávea; no centro o representante é o Nova Capela e no Méier os moradores tem que se contentar ainda com o Habib's, que vive sempre lotado e é parada quase obrigatória pra quem volta da Lapa para esses lados.
O certo é que a cidade vai cada vez mais ficar acorda, o que é bom pra economia, o que é bom para o povo.
Célula Isaque debaixo d'água!
Na última célula Isaque dessa sexta-feira, que ocorre próximo à rua João Barbalho, em Quintino, às 20h, mesmo com a chuva, havia visitante. Gabriel, junto com os demais, ouviu objetivamente sobre três conselhos para acertar o alvo em seu aspecto pessoal.
Os três itens são: ouvir conselhos dos mais velhos. Eles são mais experientes, o que os confere, no mínimo, o direito de análise em todas as suas falas, e obediência quando eles tem autoridade.
O segundo item é ter cuidado com quem você anda. Uma ala da sociologia nos faz refletir que por parte, podemos ser fruto do meio em que vivemos; logo, todos nós somos , ou influenciados, ou influenciadores. Se seu círculo social não é o que você deseja ser e nem tem hábitos saudáveis, é bom rever seus conceitos.
Por último, porém não menos importante, está o conceito que você tem acerca de si mesmo. Aquilo que eu acho de mim mesmo me torna apto a ter motivação ou depressão, minha auto-estima está intrinsecamente relacionada à minha auto-imagem.
Tirando os risos, a hora que passou voando, as piadas e comentários, a presença do Espirito Santo, é basicamente isso que posso passar por escrito para vocês que por algum motivo não foram nessa sexta, mas irão nas próximas!
P.S.: Nessa próxima sexta, dia 03/01 não haverá célula, retornaremos na sexta-feira após essa com surpresas! Traga convidados!
Os três itens são: ouvir conselhos dos mais velhos. Eles são mais experientes, o que os confere, no mínimo, o direito de análise em todas as suas falas, e obediência quando eles tem autoridade.
O segundo item é ter cuidado com quem você anda. Uma ala da sociologia nos faz refletir que por parte, podemos ser fruto do meio em que vivemos; logo, todos nós somos , ou influenciados, ou influenciadores. Se seu círculo social não é o que você deseja ser e nem tem hábitos saudáveis, é bom rever seus conceitos.
Por último, porém não menos importante, está o conceito que você tem acerca de si mesmo. Aquilo que eu acho de mim mesmo me torna apto a ter motivação ou depressão, minha auto-estima está intrinsecamente relacionada à minha auto-imagem.
Tirando os risos, a hora que passou voando, as piadas e comentários, a presença do Espirito Santo, é basicamente isso que posso passar por escrito para vocês que por algum motivo não foram nessa sexta, mas irão nas próximas!
P.S.: Nessa próxima sexta, dia 03/01 não haverá célula, retornaremos na sexta-feira após essa com surpresas! Traga convidados!
Deja Vú

É impensável numa grande cidade em pleno século XXI, num país que deseja ser modelo de qualidade um prédio simplesmente cair! Ou melhor, DOIS prédios simplesmente caírem em pleno Centro da Cidade.
Como assim?
E se isso tivesse ocorrido em pleno horário de rush, com seus familiares passando por ali, como todos os dias?
O Rio de Janeiro tem um histórico considerável de tragédias envolvendo construções, deixando de dezenas a centenas de mortos e feridos graves.
Ainda não se sabe ao exato a verdadeira razão da tragédia, mas muitos motivos levam a crer a anos de descuido e negligência do poder público com os prédios históricos do Rio.
Segue abaixo uma pequena lista de acontecimentos semelhantes:
* Laranjeiras (1967): em 21 de fevereiro, um temporal provocou um deslizamento de uma encosta na altura da Rua General Glicério, em Laranjeiras (Zona Sul) atingindo uma casa e dois prédios de apartamentos. Cerca de 120 pessoas morreram no local. Entre as vítimas, um irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues.
* Elevado Paulo de Frontin (1971): um trecho do viaduto em construção (foto) caiu no dia 20 de novembro na altura da Rua Haddock Lobo, na Tijuca (Zona Norte), sobre vários veículos que estavam parados no sinal vermelho. No total, 28 pessoas morreram e 30 ficaram gravemente feridas, incluíndo algumas mutiladas.
* Supermercado Ideal (1972): no dia 20 de dezembro, a queda do teto de um supermercado em Pilares (Zona Norte) provocou a morte de 14 pessoas e cerca de 100 feridos.
* Abolição (1988): na sequência das chuvas que devastaram o Rio em fevereiro, um prédio desabou na Rua Teixeira Carvalho, no bairro da Abolição (Zona Norte), deixando 13 mortos.
* Rua Primeiro de Março (2002): Um hotel de cinco andares desabou durante a tarde do dia 25 de setembro de 2002 na Rua Primeiro de Março (Centro do Rio). Duas pessoas morreram.
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