Etc. e Tal.

Adeus, Champignon

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Cazuza profetizou que nossos heróis " morreram de overdose". Se temos como heróis pessoa idênticas ou não é outra questão. O fato é que os heróis (e quando digo heróis não é no sentido onírico da palavra, e sim prático, digo referência) estão morrendo, desfalecendo. Os ídolos estão sendo desfeitos porque todo ídolo é criado e sustentado pela adoração e, nessa galeria de heróis mortos brasileiros recentes, poucos são os que tem conseguido isso: sustentar uma influência que dure alguns anos na vida cotidiana das pessoas. Como referências, eles normalizam práticas, e as práticas que os levaram até a morte são justamente as que não devem ser normalizadas. É irônico ver que estes, que emprestaram tanto sabor a vida, também trataram com pouca reverência e carinho a mesma. Gostava muito do Champignon, ex-baixista do Charlie Brown Jr., a banda que mais fez minha cabeça e moldou meu estilo de ser na juventude, que provavelmente se suicidou com um tiro na ultima madrugada, mas o fato é que precisamos de práticas, atitudes e postura melhores diante da vida. Precisamos de pessoas que sejam referência em construção de caráter, família, respeito e sonhos, não em destruição. Precisamos de novos ídolos. Procura-se novas referências para uma geração órfã, que ainda tem buscado em pleno 2013, ídolos da década de oitenta e noventa.

Calendário virtual

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O facebook não pára de agregar valores e funcionalidades para si. O livro dos rostos que começou branco e sem sal, com a simples tarefa de ser um local comum entre amigos com a possibilidade de rever velhos conhecidos, hoje já é lugar comum para disseminar ideias, propagar marcas, fazer merchandising, pesquisar opinião, ter relacionamento com outros, lembrar aniversário de seus amigos e até um excelente e eficiente porta-voz para relacionamentos. Essa deslocada tradição de avisar, contar para a família, dizer como a menina é para as pessoas, do que ela gosta é coisa do passado. Basta alguns cliques que o face faz isso tudo na hora e com mais precisão (eu tenho sido prova disso).

Agora, ao que parece a mais nova tarefa que aparece na nossa timeline é avisar a quem o dia é destinado hoje. Alguém aqui sabia ou já tinha comemorado o “dia do irmão”? Há quem diga que Zuckerberb tem passado seus dias gelados, solitários e podres de rico inventando esses dias só pra dar uma movimentada nos assuntos nessa era pós “Quantas curtidas essa princesa merece? Se atingirmos mil acabaremos com a fome na África!”. E hoje, como vocês bem sabe é dia do ALFAIATE. Ok, ok, dia do sexo também. Talvez caiam no mesmo dia pela necessidade da intimidade com o corpo que as duas comemorações sugerem.

Essa ligação está sendo gravada

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Acordei e vi aquelas gotas escorrendo com preguiça pela janela. Era a chuva. Um convite para se reconciliar com o sono e se arrepender de ter transgredido a lei do sonho, que é acordar. Mas não consegui enquanto lembrei que acordara com um falatório, uma discussão do meu pai com o telefone. Pra mim, um monólogo. O cara tava discutindo, expondo vários argumentos contra a má qualidade na prestação de serviços da companhia de telefonia que assiste à minha avó, na sua casa.

Há mais de duas semanas que minha amada vovó e suas outras muitas vizinhas velhinhas estão sem telefone por um problema local e nenhuma providência é tomada. A situação é tão grave, mas tão grave, que nesse ínterim foi meu aniversário e a matriarca nem me ligar pode. A explicação da representante da empresa é que o problema é com uma firma terceirizada, e seria para eles que as reclamações teriam que ser direcionadas. Como cara-de-pau só tem sucesso quando não tem parte com a burrice, meu pai fez questão de lembrar que o contrato e o pagamento não são feitos a nenhuma empresa terceirizada e sim a eles, logo, cabe aos próprios resolver essa chatice.

Chatice essa que se estende atá aqui nesse texto mas agora se finda. Comentei tudo isso para sugerir minha nova especialização, curso, doutrinação ou seja lá qual for o nome que isso possa levar na grade curricular do ensino médio nacional. A iniciativa privada, as empresas, até as PPP's estão cada vez mais tomando conta da sociedade seja por meio de concessões ou omissão do estado. A cada dia fica mais claro e firme no inconsciente popular a dor de cabeça que é ligar para uma dessas prestadoras de serviço querendo cancelar ou comprar um serviço novo.

Não raramente as experiências, enxurradas de processos e piadas que envolvem a voz dos representantes dessas companhias tomam conta das conversas quer seja numa festa ou num almoço de domingo. Olhe ao seu redor e veja se você não conhece ao menos uma pessoa que trabalhe em um desses call center da vida. Não cessa o crescimento da demanda de mão de obra nessa área, assim como não diminui a relevância dessas empresas e as nossas necessidades, enquanto sociedade, num estilo de vida que cresce desenfreadamente misturando cada vez mais o que é seu privado com o público, criando literalmente uma rede de informações que, se cruzadas, definem exatamente quem nós somos — wikileaks, espionagem norte-americana é barbada! Profissional nesse ramo são os atendentes da c&a, pessoas que fazem cartões ou as redes sociais na tela do seu gadjet.

Pois bem, a minha sugestão, então, é que troquemos alguma dessas matérias retrogradas da escola e que não ensinam nada no final das contas, como matemática, história, geometria por uma disciplina que eu denomino “Como se comportar diante de um call center”. Que tal? Imagine uma nova geração equipada, que conhece e domina as aspirações e ofertas avassaladoras que virão do outro lado da linha antes mesmo delas serem ditas. Pense como seria melhor uma multidão de pessoas que conhece o comportamento e as intempéries que se armam numa dessas conversas, ate então inofensiva, para cancelar uma assinatura. Você há de concordar comigo o quanto de tempo, estresse e energia isso nos pouparia e que tudo isso convergiria para um estilo de vida melhor.

Pois bem, fica registrado minha sugestão, uma vez que no futuro nacional, esse domínio por parte das empresas só tende a aumentar se continuar esse governo que é de esquerda, de berço socialista, mas que vendeu o país para a iniciativa privada em um antro de corrupção...


...Pensando melhor, talvez outras matérias além desta teriam que ser adicionadas no colégio para poder entender essa vida melhor.

E viva a internet

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Às vezes me pergunto se alguém na cidade maravilhosa está maravilhado com o conteúdo da nossa tevê. Maravilhado soa, talvez a você, exigente, pedir-demais, então satisfeito ou agradado seria melhor. Há de haver alguém, além dos envolvidos, que aprovaria a qualidade de informação e programação veiculada nessas concessões públicas que, em teoria, teriam como dever propagar com qualidade no formato e essência o interesse público e o interesse do público também.

Como gosto de perguntas, me pergunto se alguém está satisfeito com a saúde ou a segurança na cidade. E a política como um todo. Já me peguei perguntando-me sobre até a educação; e a religião, por quê não? “Será que Jesus assistiria a Record” pode ser considerado heresia...

Esse formato comunicacional, na era da informação não processada, mal interpretada, no século da comunicação após o boom dela na segunda metade do século passado tá dando o que falar e pode ser pauta para os Fantásticos e Globo Repórteres futuros da vida (se é que eles resistirão até lá).

Quando muito filosófico, paro e percebo que apesar da maioria das respostas levarem a um desagrado geral com a vida social na minha cidade, nada muda. O que me encoraja a perceber que as pessoas não gostam muito de se fazer perguntas. Uma vez entrevistei o Ruy Castro e ele me disse que se o Brasil não tivesse carnaval todo ano, então, já teríamos tido umas 45 revoluções. Faz sentido...

A novela por exemplo... A vida imita a arte, ou a arte imita a vida é a pergunta que ecoa pra todo dramaturgo. Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais, era o jargão daquela propaganda. O quê de bom, efetivamente, uma novela super bem produzida e interpretada, como as nossas, já proporcionou de bom para alguém que não está diretamente ligado a ela é outra pergunta que me veio a mente agora. Tirando os atores, os merchandising atrelados a iniciativa privada, a instituição que veicula os folhetins que ganham dinheiro, status e fama, o que o povo ou o público ganha com isso, me permita a interrogação nesse texto.

Se por um acaso há alguma discordância nesses pensamentos entre eu e você, sinta-se desafiado a procurar, na tevê aberta ou fechada (que é uma extensão ridícula da mediocridade exibida nos canais abertos) uma sequência de programas bem feitos e com conteúdo no mínimo unanimemente aceitável.

No jornalismo, por exemplo, parece cada vez mais existir uma maior margem entre a informação e o fato, obviamente por questões políticas, financeiras e de interesse. O que é triste, como todo jornalismo. Qual verdade há nas reportagens sobre as manifestações que assaltaram subitamente as ruas do Brasil, ou qual a verdade que há na cobertura política, na vigilância do poder ou na mediação entre o Estado e as pessoas, se pergunte agora comigo.

Na faculdade de jornalismo a qual faço, que surpreendentemente entrou em greve quase por todos os motivos possíveis, existe uma minoria de alunos acampados na reitoria. Em outras palavras é a síntese da crise do ensino superior ao longo do país , mas esse é outro assunto. Estive lá com meus amigos, prometi tentar fazer algo por nós. Conversei com assessores da secretaria municipal de educação, deputados estaduais, federais, ex-mantenedores da instituição pessoalmente ou por telefone e todos eles, sem exceção, informados pela tevê, estavam sendo enganados acerca da atual e verdadeira situação da faculdade, a mesma que foi objeto de matérias e mais matérias de um sem número de emissoras.

Alguém se atreveria a dizer até que o jornalismo televisivo é o maior programa de ficção que já existiu. Mas não é pra tanto, nem pra pouco. Zapeemos com nosso controle e no melhor da lei da oferta e procura acharemos conforto audiovisual. E viva a internet.

O Papa se foi

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O mestre e jornalista Alberto Dines acaba de falar agora, segunda-feira, dia cinco de agosto de 2013, no programa chamado Roda Viva, da TV brasil, que hoje entrevista representantes do mídia NINJA , que eles poderiam se posicionar e explorar mais o assunto da visita papal ao Brasil, ocorrida nas últimas semanas, recheada de incongruências e fatos inusitados. 

A mídia NINJA é mais uma das variadas e novas formas de comunicação que cada vez mais tende a crescer dada as novas tecnologias e forma de se comunicar. Criada no meio de militantes nos últimos protestos ao longo de todo Brasil, por meio da internet dedica-se basicamente a cobrir pautas envolvendo justiça e engajamento político, social e cultural. Vale dizer que os criadores e representantes desse novo ativismo midiático feito online, on time e full time, graças a praticidade e acessibilidade dos novos gadjets, são declaradamente de convicções políticas socialistas e/ou comunistas. 

Disse ele, o Dines, jornalista famoso, lenda viva, que não consegue entender num estado laico um feriado de quatro dias por motivo da visita do Papa, motivo puramente religioso. Acerca disso, penso que devemos levar sempre em consideração se estamos enlatando ou empobrecendo ignorando as variantes da visita de um representante espiritual, líder de Estado e Papa — deixo aqui claro que não sou católico e me considero longe disso.  Temos que entender que um estado laico não é laicista, e nem por ser laico tem o direito de cercear o que não é, assim como não pode de forma equivocada usar sua autoridade para promover ou denegrir o que quer que seja. Contudo, se estamos numa democracia (em teoria) representativa, onde democraticamente foram levantados representantes do povo, onde essa maioria é católica, não é uma questão de ferir o que é laico ou não, é sim uma questão simplesmente de maioria, bom senso e funcionamento do sistema. Ademais, uma visita dessas, mobilizando milhares de pessoas não pode ser ignorada por esse argumento. É sempre bom lembrar que de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim,um dos pais da sociologia, entre as cinco bases que sustentam a sociedade está a religião com papel fundamental de manutenção da ordem e progresso.

Essa é mais uma prova de que estamos perdendo o tom nessa conversa de ditadura dos ofendidos ou governo das minorias. Hoje pasteurizamos a noção do coletivo, deixando de lado a ideia de sociedade, ignorando que somos um povo e nos reconhecendo somente como massa, esquecendo que somos cidadãos. Quando dirijo meu voto setorizando e visando somente meu benefício próprio, quando não reconheço minhas raízes e pratico uma mentalidade colonizada, fazendo papel somente de massa de manobra ante aos poderes não exercendo minha cidadania. Injustiça não pode ser confundida com preferência. Estado laico não é contra manifestações religiosas e democracia não combina em instância alguma com interferência estatal na filosofia, religião ou expressão do indivíduo. Ademais, o Papa já foi até embora, diferente dos nossos problemas, que querem continuar por muito mais tempo.

Como é ser um Zé

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Estamos vendo ao longo de todo Brasil e principalmente na cidade do Rio de Janeiro uma forma contínua e plural de protestos. Uma galera, jovens em sua maioria, que andam saindo às ruas para reclamar seus direitos e, querendo você ou não, quanto a isso, somos forçados a nos posicionar quase que involuntariamente: pró ou contra.

As manifestações tomaram corpo por causa do então aumento (abusivo) das passagens de ônibus em vinte centavos , mas como desgraça atrai desgraça, o que não faltou foram motivos justos de reclamação da nossa desgraçada política.

Essa turma que encabeça as manifestações pacíficas ou não, vem se classificando como uma massa de manobra não tão maleável assim na mão dos poderosos ou do 
Estado, pois se forma ainda num ambiente livre, numa terra de malboro, sem lei nem regulamentação, chamada internet. Essa que já cooperou na derrubada de regimes consolidados, em revelações de espionagem e até em acusações verossímeis de atos extras conjugais, juram os traídos (os principais responsáveis pelo fato de pesquisas mostrarem que nós, jovens, não passamos em média menos de quatro horas por dia na frente do pc, navegando).

E é essa mesma geração que parece sugerir com tais atos um acontecimento quase que inédito no país, se levarmos em consideração o número de casos ao longo da historia nacional: parecemos estar saindo da inércia, porém entrando na ditadura dos ofendidos. E nessa ditadura, a minoria tem ,sim ,voz! E basta o mínimo indício de uma ofensa que não faltam aproveitadores em busca de oportunidades.

Outra fato curioso é a possível mudança da conotação de "realidade" e de "sensação" , a qual criamos nas últimas décadas graças ao nosso modelo de vida e relacionamentos verticais ou horizontais, de consumo exagerado transformando o TER como propósito central, no lugar do SER. Com números, gráficos, publicidade, propaganda, por meio da mídia e de incentivos, somos quotidianamente induzidos a acreditar que vivemos em um local seguro, liderado por competentes escolhidos pelo povo, com saúde, moradia, senso de respeito e justiça.

E já que as palavras nos levam para esse caminho, não tenho como não lembrar de um amigo, o Zé. Esse era capaz de tudo, até confundir o guarda particular de rua com segurança, o plano de saúde absurdamente caro com saúde, as baixíssimas oportunidades de lazer gratuitas com cultura e os caríssimo e não variados produtos com oportunidades de satisfação pessoal.

Zé não tinha como seu ganha pão algo desejado, estudado e planejado, e sim algo empurrado, ocasionado pelas urgentes necessidades sociais. Poucos ,provavelmente, são os que vivem felizes ou justos em suas funções e trabalhos. A nossa sociedade nos empurrou uma sensação de que o homem é o seu trabalho, e por isso vemos pessoas que gastam quase metade de seu dia, mais de 80% do mês, em um propósito profissional no qual elas não acreditam, não as estimulam e não as representam. A sensação é de trabalhador, a realidade é de peão manejado e velejado de acordo unicamente com os sopros do vento. É o homem refém da vida e a vida vivendo o homem. O homem não é seu trabalho, o homem é sua obra, e a obra corre o risco de estar inacabada, mas não por falta de trabalho. É a ironia moderna que tem o malandro Zé como  personagem.

A sensação no condomínio do Zé que tem piscina , sauna, quadra poliesportiva o faz crer na segurança e no seu lazer, quando a realidade é que o Zé paga cinco meses em imposto ,dos dozes em um ano, para nada.Como sempre, o último a saber...

A sensação diz que ele escolhe quem governa e que vive numa democracia. Experimente perguntar a ao Zé qual foi a última vez que sua palavra foi ouvida ou ele teve voto em algo coletivo, na poda da árvore da sua rua, ou quando a opinião de um Zé foi perguntada em algo que diz respeito a ele próprio. Será que  ele tem o direito de opinar sobre sua aposentadoria é uma pergunta muito cruel a se fazer, isso porque ainda nem chegamos na questão de opinião quanto a políticas externas e relacionamentos diplomáticos.

A sensação entregou semana passada ao Zé uma promoção, a realidade é que ele continua ganhando abaixo do que é justo, muito provavelmente. Isso porque quem regula a justiça é o mercado, e nele essa tal senhora tem custado muito caro. A realidade é injusta e o meu iludido amigo tem sido o primeiro a transformar seu nome próprio em um verbo a ser conjugado.

A sensação de um cordão de ouro, de um carro comprado em milhões de vezes, uma dívida de uma década... Mas provavelmente pro Zé não há nada mais desejável do que o cheiro de um carro semi-novo , não é?

Vejamos algo: não existe classe C emergente ou uma multidão elevando seu padrão de vida, existe uma nova turma que só ganhou o poder de compra, o que favorece a iniciativa privada. Não existe melhora de padrão de vida, saída da miséria, uma vida mais justa e digna, só existe uma escassa possibilidade de comprar um eletrodoméstico e roupas melhores para ver se assim melhora a autoestima  classificação pro moço do IBGE. Tudo a preço da dívida. Eternos devedores de algo por algo que não se precisa. Se sabe o preço de tudo, já os valores... Mas o Zé continua Zéneando (vamos torcer para o verbo não vir para o imperativo).

O pobre Zé, que mais tarde me confidenciou que só não foi mais longe nessa história de flexibilidade do tempo de seu novo verbo porque não teve acesso à educação na infância, vive numa sociedade injusta, preconceituosa e imoral que tem sua manutenção na sensação das coisas. A pregação de que o próximo new rich pode ser o Zé, ou que ele pode crescer na vida ou ser o mais novo ganhador da mega sena só perpetuam o que sempre aconteceu: quem sempre roubou muito, bem, e quem sempre roubou pouco, mal. Na terra do Zé, só os roubos de grande porte compensam.

Aparece na tela da tevê o menor de idade negro, da favela sendo preso por tráfico e porte de arma e a sua sensação é que você está livre daquele problema. Poderíamos desafiar nosso conterrâneo à procura de quem é o jovem negro de favela que permite a entrada de armas em nossas fronteiras ou que faz vista grossa ante alguns benefícios da entrada de drogas no nosso país ou que faz politicagem deixando bem claro quanto custa sua assinatura para embargar ou não alguma proposta quando se torna político ou que alicia menores visando o lucro coisifcando o que é humano.

Os frutos do problema não são a raiz do problema, Zé.

Qual foi a última vez em que você mais elogiou e se identificou com algum político do que o criticou ou se frustrou me perguntou o Zé numa tentativa de me mostrar que nossos CEP's são parecidos. Em vão... 

A sensação não é a realidade, e agora , a minha sensação é de que as coisas tem mudado junto com o Zé.